Hino a Deméter (fragmentos da Ilíada, de Homero)


A Deméter, de formosa cabeleira, veneranda deusa, começo a cantar; a ela e a sua filha raptada por Aidoneo(…) enquanto brincava com as filhas do Oceano, e colhia flores, rosas, açafrão, formosas violetas, jacintos e aquele narciso que a Terra produziu tão admiravelmente (…) pela vontade de Zeus para enganar a donzela e comprazer a Hades(…) Cem capuchos brotaram de sua raiz, e ao espargir-se o suavíssimo odor, sorriam o alto céu e a terra inteira, e a salobra água do mar. Ela estendeu admirada os braços para colher o formoso brinquedo; mas então a terra abriu-se…e surgiu o soberano Polidegmon, filho famoso de Cronos …arrebatando-a no seu carro de ouro levou-a chorando e gritando(…) mas nenhum dos mortais ouviu sua voz, somente a filha de Perseu, a de ternos pensamentos, desde sua caverna, Hécate, a de luzente diadema- e o Sol soberano, filho de Hiperion, quando a donzela invocava seu pai(…) Foi sua mãe que ouviu-lhe a voz, sentindo nesta aguda dor que transpassava o coração, jogou seu manto sobre os ombros e saiu pressurosa a indagar por terra e por mar; mas ninguém quis revelar-lhe a verdade. Durante nove dias vagou pela terra. Quando a décima Aurora resplandeceu, Hécate a encontrou, com a tocha na mão, para dar a notícia. Ambas dirigem-se com tochas acesas até o Sol, que saúda a filha de Rea e conta que Hades a raptou para torná-la sua esposa. Oferecendo sua carruagem, Deméter segue até a morada de Celeo, rei da perfumada Eleusis. Aflita, ela senta-se no poço Partenius, a sombra de uma oliveira, onde vem buscar água Calidici, Clisidice, Demo a amável e Calitoe, a maior delas, todas filhas de Celeo Eleusinida e se estabelece um diálogo entre elas (…) Encheram de água seus vasos e regressaram a casa, contaram a sua mãe o que ouviram e viram e ela mandou buscar Deméter, oferecendo-lhe imenso salário. Voltaram e encontrando Deméter, a conduziram a mansão de Celeo, aluno de Zeus e a deidade nada falou, não quis sentar nem descobriu sua cabeça com o manto que a cobria. Até que Yambe, a de castos pensamentos, apresentou-lhe uma grande cadeira, coberta de manto branco. Então a deusa senta e retira o véu consumida pela solidão da filha. Yambe falava e contava anedotas até fazer a deusa rir. Metanira lhe traz um copo de vinho, e Deméter diz não ter licença para beber. Preparam então uma mistura em beberagem, que a deusa aceita em conformidade aos ritos (aqui se perde um fragmento do texto de Homero)* e Metanira começou a dizer: Salve mulher, pois teus pais não são vis e sim nobres; o pudor e a graça brilham em teus olhos(…)cria minha criança que os imortais me deram tardiamente(…)Ao que Deméter responde: “Salve tu também, e que os deuses te cumulem de bens. Com gosto criarei teu filho e que o hipotamno (erva para beberagens mágicas) nunca lhe cause dano, pois sei um remédio contra o funesto sortilégio (hilótomo, antídoto formado por ervas do bosque)“.

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